segunda-feira, 10 de novembro de 2008

2 - Unsticking

A angústia latejava em seu peito a cada passo que dava no asfalto escuro e úmido. Pôs-se a refletir quanto ao odor que asfaltos molhados exalam, para acalmar-se. A brisa fresca que veio seguida de uma moto que quase atropelou-o quando atravessava a rua de casa devolveu-lhe ânimo o suficiente para que engolisse todo o tormento que sofria, e enfim se pusesse a pensar onde passaria aquela noite. - Seria tão mais fácil se eu conhecesse alguém nesse bendito bairro... mas talves seja melhor assim - pensou consigo mesmo. Desceu algumas ruas até o ponto de ônibus mais próximo, na avenida. Olhou o relógio. - 23:48, não tá tão tarde quanto pensei, dá pra pegar um ônibus ainda, se tiver sorte. - Sentou-se no banco molhado do ponto solitário e esperou. Quando avistou as luzes amarelas do letreiro do ônibus virando a esquina na avenida, quase entregou-se ao ímpeto de correr de volta pra casa, pedir desculpas à mãe e dormir, enfim, quentinho em sua cama. Mas não, foi forte. Dentro do ônibus quase vazio, enquanto fitava o nada através da janela repleta de gotas da chuva que há pouco caíra, deu-se conta do ridículo da situação: estava pela primeira vez na vida por conta própria, portando apenas uma mochila, algumas roupas, alimentos e menos de 200 reais, e se não bastasse havia pego um ônibus sem ao menos checar qual era, nem planejar algum destino. - Vou ao centro, e lá me viro. - decidiu, já que todo ônibus iria ao centro. Desejou um cigarro de menta. - Ao chegar lá, a primeira coisa que farei será comprar-me um maço e um esqueiro, ah sim! -. Desceu no ponto do centro, e assim fez. Encontrava-se sentado em frente a prefeitura da cidade em um banco de praça, deliciando-se com seu rolinho de tabaco mentolado em brasas.

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