segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

8 - Unbearing

- Encontraram a Vera dentro do ribeirão, a uns 5 quarteirões de onde a gente estava. Ela estava sem calças e com sêmem até onde você jamais imaginaria. Disseram que ela estava com os olhos tensos para trás, e o sangue diluído em heroína. Ela estava um nojo! Mataram ela, tudo culpa da sua mochila! - dizia Amanda como que se repetisse o noticiário da manhã, fitando a porta da ambulância enquanto falava. Então ela abraçou-o forte. Sentiu-se estranho, e pelos seguintes motivos: por não reconhecer a intimidade entre ele a Amanda que a permitia abraçá-lo da forma que fazia, contando que a conhecera no dia anterior, segundo por não concordar que o acontecido tivesse sido culpa da sua preocupação momentânea com sua mochila, por não conseguir revidar, e por não se sentir nem um pouco abalado com a notícia. Talvez fosse por nem sequer se lembrar do rosto de Vera. - Agora eu não tenho mais nada na vida, senão você - continuou ela aos soluços. - Eu amava tanto ela, tanto... não, não, eu não acredito. - E ela se levantou, rompendo a mangueirinha em seu braço. O enfermeiro rapidamente se levantou e segurou-a. - Eu amava ela sim, eu amava ela! Nós íamos ficar juntas para sempre, não importa o que dissessem. Nós morreríamos bem velhinhas e juntas, com uma overdose de Ketalar que daríamos uma na outra ao mesmo tempo. Nós nos mudaríamos para o Paraguai e viveríamos em nosso apartamento, cultivando soja nas sacadas e cuidando dos nosso filho adotivo. Eu não tenho mais nada, nada! - disse ela aos prantos, e então abraçou o enfermeiro, que começou a acariciar seu cabelo. Não parava de soluçar. - Que merda, por que meu corpo precisa eliminar o que eu tomo? Por que não posso viver o resto da minha vida de porre? - resmungou ela no ouvido do enfermeiro. Ele sentiu-se subtamente exausto. Deitou-se na maca e dormiu.

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